O hostil clima do Egito para defensores do meio ambiente
Nos últimos dias, manifestantes foram presos pelo governo egípcio

A partir da próxima segunda-feira, dia 7, a COP27, a conferência do clima da ONU, será realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito. Enquanto no ano passado, em Glasgow, na Escócia, ativistas climáticos e defensores do meio ambiente ocuparam as ruas da cidade em enormes protestos, o atual governo egípcio, sob a presidência de Abdul Fatah Khalil al-Sisi, preocupa integrantes da sociedade civil acostumados com a simples liberdade de realizar manifestações nas ruas.
No último domingo, dia 30, o ativista climático Ajit Rajagopal, natural da Índia, foi preso após dar início a uma caminhada partindo de Cairo, capital do Egito, até a cidade-sede da COP27 como parte de uma campanha global para aumentar a conscientização sobre a mudança do clima.
O ativista estava sozinho e segurava um papel branco com palavras de atenção para a justiça climática na COP27. Ele foi preso em um posto de controle e, ao ligar para um colega ativista para ajudá-lo a sair da detenção, o colega também foi preso.
Para a advogada defensora de direitos humanos Mai El-Sadany especializada no Oriente Médio e no Norte da África, “embora ambos tenham sido libertados, o incidente destaca como até mesmo um ato básico de conscientização no Egito, anfitrião da COP27, está fora dos limites”.
De acordo com o site oficial da COP27, “os participantes que planejam organizar um protesto/manifestação climática na área designada para manifestações climáticas devem notificar [a organização] com o objetivo do protesto/manifestação, data, entidade organizadora e um(s) ponto(s) focal(is) designado(s) com uma cópia do crachá da conferência, 36 horas antes da atividade planejada. O horário de funcionamento da área designada é das 10:00h às 17:00h”.
Além disso, a organização afirma que os participantes não devem: “usar ou divulgar quaisquer sinais, cânticos, slogans, materiais audiovisuais ou impressos que promovam ou incitem ao ódio, discriminação, racismo ou violência; interromper o fluxo de movimento de indivíduos ou veículos; usando objetos personificados (ou seja, desenhos satíricos de Chefes de Estado, negociadores, indivíduos)”.
Em um momento em que se discute a importância de valorizar os guardiões da floresta e defensores de direitos humanos como partes essenciais para a manutenção da floresta em pé, o ambiente hostil contra a liberdade de expressão no Egito mostra uma contradição do evento.
Ao mesmo tempo em que o continente africano ganhará evidência e temas como insegurança alimentar e hídrica e justiça climática terão mais espaço, os ativistas climáticos, acostumados com outra realidade para realizar manifestações, enfrentarão outras dificuldades.