O governo federal anunciou nesta segunda-feira a liberação de 10 milhões de reais para reformas emergenciais no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. O local, que abrigava 20 milhões de itens, foi destruído por um incêndio que começou na noite de domingo. O montante será repassado pelo Ministério da Educação (MEC) para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo museu, e busca garantir a preservação da estrutura da construção.
“Imediatamente o Ministério da Educação vai repassar à UFRJ neste primeiro momento 10 milhões de reais para garantir a segurança do patrimônio”, disse o ministro Rossieli Soares da Silva, após reunião no Rio sobre o incêndio, acrescentando que vai ser criado um comitê executivo visando à recuperação do local, que já serviu como palácio imperial no século XIX.
“Esse comitê é para acelerarmos efetivamente as ações de recuperação envolvendo o governo como um todo, a UFRJ e instituições que sejam importantes. A Unesco [órgão da ONU para educação, ciência e cultura] vai contribuir com esse processo”, afirmou.
Outros 5 milhões de reais serão disponibilizados depois, para a realização do projeto de reconstrução do prédio, que, segundo o ministro, deve demorar de três a quatro anos.
Paralelamente deve ocorrer, na medida do possível, a recomposição do acervo. Só para o projeto serão necessários de seis a dez meses, estima o ministro, contados a partir da contratação do serviço. Questionado sobre as condições precárias do prédio e a culpa pelo incêndio, Rossieli afirmou que os maiores cortes na pasta da Educação ocorreram antes da atual gestão. Ele afirmou que a Unesco e outras instituições internacionais devem enviar especialistas para acompanhar os trabalhos emergenciais.
‘Perda inestimável’
O Conselho Internacional de Museus divulgou nota expressando pesar diante do “devastador incêndio que destruiu o Museu Nacional, o maior museu de história natural da América Latina e a mais antiga instituição museológica do país”. “Lamentamos a perda da coleção inestimável, que incluía itens importantes de história natural, mineralogia, paleontologia, arqueologia, num total de 20 milhões de itens”, informou a nota.
Em nome da comunidade internacional de museus, a nota diz ainda que este domingo foi “um dia negro não apenas para o patrimônio brasileiro, mas também para o patrimônio mundial”. Além disso, o conselho se colocou à disposição para ajudar o museu a superar o desastre. O museu havia completado 200 anos em 2018.
(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)