
Dezoito meses e quatro dias depois do início do mandato, Lula cumpriu uma promessa que poderia ter sido resolvida na primeira semana do seu governo. O presidente finalmente recriou a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, que foi profanada por Jair Bolsonaro e depois, como se não bastasse o desrespeito, extinta.
Isso resume bem o terceiro mandato de Lula e eu explico porquê.
Essa comissão foi usada pelo líder da extrema-direita para ferir um grupo importante da esquerda que sempre apoiou o PT nas últimas décadas. Após o 8 de Janeiro – a tentativa de golpe novamente com participação das Forças Armadas – era óbvio que Lula deveria ter recriado a Comissão.
Tratar dos crimes do passado – esses que nunca foram verdadeiramente enfrentados no Brasil – é a melhor forma de evitar que eles se repitam.
Mais do que isso até, nesse caso.
Com ela aberta e em atividade, poderiam ser anunciados avanços nas investigações durante todo o ano de 2024, quando se completam os 60 anos do golpe.
Nada foi feito e o presidente ainda deu a ordem para que o quinto governo petista não provocasse os militares – a velha caserna que sempre gerou comportamentos estranhos e até incompreensíveis em todos os presidentes civis após redemocratização.
Em meio a esse quadro desolação criado entre os familiares das vítimas de mortos, desaparecidos políticos e vítimas de tortura da ditadura, uma boa notícia surgiu vinda de Petrópolis, a cidade imperial que ainda guarda documentos de outro erro histórico do país: a escravidão.
É que a Casa do Morte, palco do horror do aparato violento do regime militar e que fica em Petrópolis, caminha mesmo para ser desapropriada e se transformar em um centro de memória.
Isso, com a ajuda do governo Lula. Ao menos isso…