Manu Gavassi faz explante mamário e agora prega contra plásticas; entenda
Atriz fala sobre os dilemas que enfrentou, tal como sua nova personagem, a Milene de ‘Maldivas’, que estreia dia 15 na Netflix
Tendência entre mulheres, o explante mamário (retirada das próteses de silicone dos seios) é assunto natural na vida de Manu Gavassi, 29 anos. Ela se livrou das próteses que colocou há quatro anos. “Aos 25, quis mostrar que cresci. Odiei ter colocado silicone. Não coloquei por mim. Agora, tirei”. O tema surge naturalmente na conversa sobre seu novo trabalho – ela vive Milene na série Maldivas, uma das apostas nacionais da Netflix para este ano. Na narrativa, Milene tem “corpo perfeito” graças ao marido, o cirurgião-plástico Victor Hugo (Klebber Toledo). Sempre impecável, pronta para causar como síndica do luxuoso Maldivas, tem à frente o desafio de lidar com um assassinato. “Poderia ser uma personagem voltada para comédia, mas há camadas. Me doeu muito as cenas dela com o marido (no segundo episódio). Um simples comentário pode fazer mal à existência de outra pessoa, vira uma relação abusiva. Tenho esse cuidado com a vivência diária, sou sensível. Tem uma ironia na faceta dela, com todas essas dores identificáveis na realidade”, diz. A seguir, o bate-papo com VEJA:
Qual é a parte da Manu identificável com a personagem?
Toda mulher tem a pressão constante pela aparência como forma de existência, é uma perfeição cobrada em todos os sentidos, e nunca é suficiente. Ao mesmo tempo que existe uma mulher maluca, arrogante, por trás tem uma vulnerabilidade gigantesca dentro de casa. Sendo mulher, todas nós vivemos isso. Algumas têm mais força para se rebelar, outras são mais passivas.
Como se rebelou?
A história nos ensina que, para cada conquista feminina, uma barreira estética foi criada. A perfeição nunca é atingida, não importa se você está dentro do padrão de beleza. Todas nós já tivemos isso. Comecei aos 16 anos, nas redes sociais bombando. Deparava o tempo todo com comentários sobre minha aparência, meu peso, meu corpo, e ainda estava me descobrindo… Tratei com terapia, faço até hoje. Resgato esses traços da infância e adolescência. Isso fez eu entender que sempre devo estar pronta para ser julgada.
Um exemplo?
Se saio de casa, tenho de estar pronta para tudo. Tenho uma forte ansiedade social, causada pelo olhar do outro. Eu achava que era antissocial. Mas fui criada na ideia de que a percepção dos outros ia me machucar.
E as plásticas que fez? Por que hoje é crítica a elas?
No começo de carreira ouvi um comentário falando que meu nariz não merecia sair numa capa de revista. Eu tinha 17 anos, e corri para fazer uma plástica! E depois ouvi um: “Agora sim”. Eu pensei: “Agora posso ser uma artista, estar nesses lugares”. Sempre convivi com isso. Aos 25, quis mostrar que cresci. Odiei ter colocado silicone. Não coloquei por mim. Agora, tirei. É um momento de libertação dessas crenças limitantes do meio artístico.
Sua personagem gosta de dar ordens, de ter o controle. Você é assim?
Tenho muito controle, gosto de ter o controle. Não sou como a Milene, porque ela é arrogante. Tenho essa força de fazer as coisas do meu jeito. De resto, dei uma amadurecida. Sou mandona, não dá para dizer que não… Aprendi a ser uma boa líder. Mas numa relação, de jeito nenhum, eu sou da troca, encaro meus erros, peço desculpas. Até por ser mulher tenho que saber mandar, sendo educadinha, mas sabendo me impor.
Como foi dividir o set com Bruna Marquezine, sua amiga pessoal?
Conheci a Bruna trabalhando muito tempo atrás, a gente participou muito uma da vida da outra. Agora são momentos novos, de maturidade.