Conhecimento em inteligência artificial abre mais portas de emprego
A necessidade por candidatos com formação na área fez aumentar cursos pelo Brasil; até o estado de São Paulo lançou programa gratuito de qualificação.
Quando surge um programa público de qualificação em determinada área é sinal de carência de mão de obra especializada no mercado. Na última segunda-feira, 15, o Governo de São Paulo abriu 5,5 mil vagas para curso gratuito no Google Cloud com foco em inteligência artificial para jovens com mais de 18 anos, moradores do estado. Gerenciado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o programa Qualifica SP tem 50 horas de aula e abre as portas para os alunos participarem da Job Fair, evento com ofertas de empreso que acontecerá em dezembro. Conhecimento em I.A. virou diferencial na busca do emprego. Dados da Associação das Empresas de Tecnologia e Informação e Comunicação e de tecnologias Digitais apontam que, até 2025, serão necessários mais de 500 mil novos profissionais neste segmento no país.
As universidades já perceberam essa carência há mais tempo. A Fundação Getulio Vargas (FGV), por exemplo, forma, este ano, a primeira turma do curso de Ciências de Dados e Inteligência Artificial. A área de conhecimento se estendeu também em outras formações, como na Economia, no Direito e na Comunicação. “Nossos alunos passam a entender uma técnica computacional mais madura que vai ajudá-los a resolver problemas em suas áreas de especialização” diz Yuri Saporito, coordenador do Curso de Ciências de Dados e Inteligência Artificial da FGV.
Muitas vezes encarada por profissionais como uma ameaça ao emprego, a I.A. é vista pelo mercado por um outro prisma, que é o da melhoria na eficiência e produtividades das operações. Além disso, o recurso entrou na mira das empresas porque permite que decisões sejam tomadas com base em dados e análises mais profundas. Um bom exemplo disso é o popular ChatGPT, desenvolvido para realizar textos quando recebe um direcionamento de conteúdo. “Ele deve ser encarado como um auxiliar na busca de conteúdo melhor que o Google para a elaboração de trabalhos e pesquisas”, explica Saporito. “Quem tem essa habilidade ganha mais agilidade que os demais.” Hoje pode ser estranho para a maioria, mais daqui a alguns anos, o especialista aposta vai ser tão comum como escrever com corretor ortográfico.
Bancos e instituições abrem novas áreas de IA
O mundo está passando por uma transformação tecnológica comparada com a que houve nos anos 1990. Naquela época, os profissionais da área de computação, a maioria matemáticos e engenheiros, foram absorvidos pelo mercado financeiro, que precisava montar uma área de análise de dados. Mesmo sem conhecimento em finanças quantitativas, eles eram contratados pelas empresas, que acreditavam que a soma do conhecimento em ciência da computação e a boa gerência seria suficiente para alcançar as metas desejáveis. E, de fato, foi isso que aconteceu. As instituições financeiras estão novamente neste ponto, só que agora precisam de profissionais qualificados em IA para montarem novas áreas. Estudo recente da Accenture aponta que essa ferramenta deve assumir 60% das tarefas rotineiras dos bancos. A pesquisa analisou as 150 maiores instituições financeiras do mundo.