Neste sábado, 24, o judô retornará para sua casa, o Budokan, um ginásio construído em 1964 para a abrigar as lutas da modalidade, que naquele ano estreava nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão. E quem fará as honras da reestreia será a brasileira Gabriela Chibana, que enfrentará a malaui Harriet Bonface. Construído no centro de Tóquio, bem ao lado do Palácio Imperial, o Budokan sempre despertou uma mística entre os japoneses, potencializada pelo zelo e importância que eles dão para sua cultura milenar e, em especial, ao judô. O próprio significado do nome do local, que em português quer dizer “salão de artes marciais”, já entrega a paixão que os japoneses têm pelas lutas.
Ao longo dos anos, no entanto, o ginásio, que tem capacidade para 14 471 pessoas, foi se transformando também em palco de shows históricos, numa espécie de versão japonesa do Madison Square Garden, em Nova York, que tem capacidade para 20 789 pessoas. Mas o caminho para se tornar também um templo da música não foi suave e precisou da ajuda dos Beatles.
Dois anos depois dos Jogos Olímpicos, o único espaço disponível no país com capacidade e infraestrutura para abrigar um show dos quarteto de Liverpool, no auge de beatlemania, era o Budokan. O problema é que uma apresentação de um grupo estrangeiro no templo das artes marciais desafiava, ou melhor, profanava frontalmente as tradições aos olhos de parte da sociedade japonesa. Na ocasião, muitos japoneses tentaram proibir a apresentação no local. Mas, no embate de forças, não teve jeito. Os Beatles venceram. Eles foram o primeiro grupo musical a se apresentar lá, com cinco shows entre os dias 30 de junho e 2 de julho de 1966.
Graças ao sucesso daquela apresentação, muitos artistas estrangeiros que se apresentaram nos anos seguintes no país tentaram repetir o feito dos Beatles. Pelo menos uma centena deles conseguiu. Uma rápida pesquisa no Google por álbuns com o título “Live at Budokan” retorna dezenas de nomes, que vão desde Bob Dylan e Ozzy Osbourne a Bryan Adams e Avril Lavigne. Já a lista de artistas que já se apresentaram por lá desde os anos 1970, mas não lançaram em DVDs os shows, chega à centena de nomes: Led Zepplin, Deep Purple, Queen, Aerosmith, Eric Clapton, Fleetwood Mac, Frank Sinatra e Prince são alguns deles.
Desta vez, pelo menos por um mês, o famoso “Salão das Artes Marciais” do Japão fará jus ao seu nome, abrigando mais uma vez um dos orgulhos nacionais: o judô. Quem será o primeiro artista a subir em palco após a Olimpíada de 2021? Faça suas apostas.