Temu vira o novo símbolo da desaceleração da China

Abertura de mercado: Com a desaceleração no consumo, analistas previram que a empresa ganharia mercado, mas essa tendência não é tão forte quando esperado

Por Tádsia Kastner
Atualizado em 28 ago 2024, 07h00 - Publicado em 27 ago 2024, 08h33

A Temu, e-commerce chinês que está inundando o mundo com produtos ainda mais baratos que os de seus antecessores Aliexpress e Shein, é agora também um símbolo de que a economia chinesa continua cambaleante.

Com a desaceleração no consumo das famílias, analistas previram que a PDD, a companhia dona da Temu, ganharia mercado. Afinal, quando há menos dinheiro disponível, a tendência é que as pessoas substituam o consumo por produtos mais baratos, justamente o nicho da Temu.

De acordo com projeções da própria companhia, essa tendência não é tão forte quanto se esperava. A PDD afirmou que mudanças no comportamento do consumidor, aumento da concorrência e incertezas no cenário internacional devem afetar os resultados futuros da empresa.

Segundo o CEO da companhia, Chen Lei, é inevitável que a receita e o lucro recuem daqui para frente.

Aí o mesmo vale para as ações. No pregão de ontem, os papéis da PDD negociados na Nasdaq derreteram 28%. Enquanto Nova York tenta renovar sucessivos recordes, o principal índice de ações chinês, o CSI 300, recua 3,67% no ano.

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Esse é apenas um símbolo do momento conturbado da China, que começou com uma prolongada política de lockdown durante a Covid e se intensificou com a crise no setor imobiliário. O PIB do país deve crescer na faixa de 4% neste ano, muito abaixo dos 6,5% que vinham sendo registrados antes da pandemia.

Quando a China desacelera, há um recuo na demanda por produtos importados, o que pode criar um efeito cascata sobre a economia de outros países. Esse cenário, porém, ainda está longe do radar dos investidores.

Por ora, as atenções estão voltadas aos Estados Unidos. Hoje o mercado financeiro faz uma pausa no noticiário, enquanto aguarda a divulgação dos resultados financeiros da Nvidia, amanhã após o fechamento, e também a inflação medida pelo PCE, que será divulgada na sexta. O PCE é a inflação de referência do Fed para decidir a taxa de juros do país.

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Os futuros dos índices americanos rondam a estabilidade. Na Europa, as ações sobem apesar do desempenho fraco da economia alemã. A agência nacional Destatis anunciou que o PIB do país encolheu 0,1% no segundo trimestre, quando comparado ao primeiro.

Já o EWZ opera perto da estabilidade, mas com viés de alta (+0,07%). O desafio para a bolsa brasileira será renovar o recorde após um pico de alta das ações da Petrobras. Os papéis cedem 0,45% no pré-mercado, acompanhando o recuo do petróleo.

Na agenda, o dado mais importante é o IPCA-15, que chega em meio ao receio da Faria Lima de que os preços podem continuar a subir – e demandar uma taxa de juros mais alta para conter a escalada da inflação.

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Agenda do dia

3h: Alemanha divulga PIB do 2TRI 
9h: IBGE publica IPCA-15 de agosto 
11h: EUA anunciam índice de confiança do consumidor de agosto
18h15: Haddad participa de evento do Banco Santander

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