O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, anunciou na segunda-feira, 10, um ataque militar conjunto com a Rússia contra supostas ameaças da Ucrânia ao seu território. A declaração ocorreu após a explosão de uma relevante ponte que conecta Moscou à península da Crimeia, anexada pelo Kremlin em 2014.
Em uma reunião com autoridades de segurança, o líder bielorrusso afirmou ter conversado com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre enviar em enviar um grupo militar regional ao norte da Ucrânia.
“Ataques ao território de Belarus estão sendo planejados pela Ucrânia. Estamos nos preparando para isso há décadas. Se necessário, responderemos”, disse Lukashenko.
+ Líder de Belarus moderniza aviões militares para carregar armas nucleares
+ Após explosão de ponte na Crimeia, Rússia retalia com chuva de mísseis
O chefe de Estado definiu a explosão na ponte da Crimeia no sábado 8 como uma “clara ameaça” da Ucrânia e de seus apoiadores no Ocidente ao seu país. “Eles estão tentando arrastar a Belarus para a guerra”, afirmou.
+ Lukashenko: ‘Ocidente precisa da guerra para acabar com Belarus e Rússia’
Além disso, o líder bielorrusso alegou ter recebido um aviso de que a Ucrânia planejava a “Ponte da Crimeia 2”, embora não tenha dado detalhes.
“Minha resposta foi simples: ‘Diga ao presidente da Ucrânia e aos outros lunáticos: se eles tocarem um metro de nosso território, a ponte da Crimeia parecerá para eles um passeio no parque”, declarou.
Os cerca de 20 quilômetros da ponte serviam de rota de acesso dos militares russos a suprimentos durante a guerra. O ataque foi atribuído a um caminhão-bomba e autoridades ucranianas ficaram exultantes após o incidente, mas Kiev não reivindicou a responsabilidade.
Desde o início da invasão, esta foi uma das perdas mais simbólicas para Moscou, que construiu a estrutura em 2018 após ter anexado a região da península da Crimeia.
+ Rússia ataca área residencial na Ucrânia após explosão em ponte
+ Nobel da Paz premia defensores de direitos em Belarus, Rússia e Ucrânia
As declarações de Lukashenko, que ocupa o poder em Belarus desde 1994, indicam uma potencial escalada da guerra na Ucrânia, com um possível ataque conjunto no norte do país.
O exército de Belarus tem cerca de 60.000 pessoas. No início deste ano, o país enviou seis grupos táticos de batalhão, totalizando milhares de pessoas, para as áreas de fronteira. No domingo 9, o chefe dos guardas de fronteira de Belarus acusou a Ucrânia de provocações na fronteira.
A reunião de forças com a Rússia é a mais recente demonstração da aliança entre Lukashenko e Putin. Belarus foi usado como base de tropas russas no início da invasão à Ucrânia, em fevereiro.