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Natureza em alerta: a explicação para o relativo controle dos danos do terremoto na Rússia

Tecnologia de prevenção de eventos inesperados salva vidas, embora não com 100% de segurança

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 ago 2025, 08h00

As ondas de medo se sucederam. Na manhã de quarta-feira, 29, a terra tremeu em Petropavlovsk-Kamtchatski, na Península de Kamchatka, na Rússia (veja no mapa), cidade conhecida como “a capital do terremoto”. Foi violento, de magnitude 8,8 na escala Richter, durante infinitos três minutos — em seguida, deram-­se trinta réplicas do tremor, naturalmente mais fracas. Foi o sexto maior abalo sísmico da história, o mais agressivo desde 2011, quando a cidade de Tohoku, no Japão, balançou como prólogo do terrível tsunâmi que mataria quase 20 000 pessoas.

Não demorou para que o governo de Vladimir Putin, como manda o figurino de segurança, acionasse o sistema internacional de alerta para as movimentações inesperadas das marés nos países banhados pelo Oceano Pacífico. Entre cinco e dez minutos, avisos por SMS, postagens nas redes sociais e sirenes permitiram a evacuação de populações litorâneas em torno do evento e também no Japão, nos Estados Unidos — sobretudo na costa oeste e no Havaí — e no Canadá. E então, apesar da pior das expectativas, e apesar de algumas imagens impressionantes, a tragédia não deu as caras. Atribui-se parte do sossego, por assim dizer, sem as reverberações esperadas, ao fato de a chacoalhada tectônica do epicentro ter sido rasa. “Quanto mais fundo, maior a força dos tsunâmis”, diz Humberto Barbosa, fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites.

ZELO - Japão: o segredo é emitir os avisos o mais rapidamente possível
ZELO - Japão: o segredo é emitir os avisos o mais rapidamente possível (Richard Brooks/AFP)

Há uma outra explicação para o suspiro de alívio, mais interessante e com poder de permanência: desde o desastre de 2011, com o rompimento da usina nuclear de Fukushima, que teve três dos seus seis reatores derretidos em decorrência do sismo, o mundo correu para evitar drama semelhante — ou, dito de outro modo, buscou saídas tecnológicas capazes de a um só tempo prever com mais antecedência os desastres ambientais, de modo a agilizar os alertas, e entender as maneiras pelas quais é possível antever os riscos de estragos. Não há 100% de eficácia, mas vive-se uma nova era. Um robusto relatório do Fórum Econômico Mundial, divulgado em 2024, listou as boas iniciativas: modelos de inteligência artificial já são usados para medir com acurácia as mudanças de temperatura e de marés dos oceanos.

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Drones atrelados a ferramentas de GPS ajudam a identificar com precisão, para além de sismógrafos de ponta, os nós de eventuais rupturas geológicas. São informações fundamentais para minimizar as mortes. O segredo de polichinelo: ganhar tempo. Se há uma década os alarmes soaram quinze minutos depois da verificação da tremedeira, agora em apenas três minutos deu-se o aviso. No trecho japonês do Pacífico, foram instalados 5 700 quilômetros de cabos submarinos de fibra óptica que conectam 150 observatórios. Há catorze anos, houve negligência. Hoje, qualquer possibilidade de tsunâmi é tratada como emergencial. “É a postura padrão, conservadora mas fundamental”, diz Gilberto Leite, sismólogo do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. O nome do jogo, ancorado ao conhecimento: cautela.

RESSACA - A Praia do Leblon, no Rio: o calçadão tingido de espuma
RESSACA - A Praia do Leblon, no Rio: o calçadão tingido de espuma (Bruno Martins/Agência Enquadrar/Agência O Globo/.)

O Brasil parece agora começar a caminhar como se deve, na revolução tecnológica adaptada a conversar com eventos naturais e outros acelerados pelo ser humano. Na terça-feira 29, a avenida à beira-mar em Santos, no litoral paulista, teve de ser interditada com o avanço da água, em decorrência de uma forte ressaca (nada a ver com o tremor na Rússia). A correta movimentação para mitigação de estragos, afastando os cidadãos do perigo, só foi iniciada muito em cima da hora, apesar de a previsão climática ter anunciado o evento dias antes — vantagem que os terremotos e tsunâmis não têm. No Rio de Janeiro, a reação foi mais adequada. O governo fechou as pistas da avenida da praia antes de a ressaca atingir o Leblon, na Zona Sul da cidade. Houve atenção, houve interrupções de acesso. É ótimo passo, embora ainda tímido. Precisamos ouvir e respeitar a natureza.

Publicado em VEJA de 1º de agosto de 2025, edição nº 2955

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