TV australiana admite erro ao entrevistar ‘fã de Hitler’
Blair Cottrell tem ficha criminal por intolerância religiosa e é conhecido por sua proposta de pendurar imagens do líder nazista nas salas de aula

Uma rede de TV da Austrália admitiu nesta segunda-feira, 6, ter “errado” ao entrevistar Blair Cottrell, ex-líder de um movimento de extrema-direita que possui ficha criminal e já se mostrou simpatizante do líder do regime nazista, Adolf Hitler, em outras ocasiões.
A conversa cara-a-cara, exibida no domingo pela Sky News Australia, tinha como tema central a questão da imigração no país e gerou revolta nas redes sociais pelo fato de a emissora conceder espaço de destaque para o simpatizante nazista se expressar.
Cottrell foi condenado no ano passado por incitar o desprezo aos muçulmanos. Segundo expectadores, ele já era conhecido por pedir que imagens de Hitler fossem penduradas nas salas de aula de todas as escolas australianas.
A Sky News Australia respondeu no domingo com uma publicação em sua conta no Twitter, garantindo que as opiniões do entrevistado “não refletem” as da emissora e que a entrevista já foi retirada de todas as plataformas online.
It was wrong to have Blair Cottrell on Sky News Australia. His views do not reflect ours. The interview has been removed from repeat timeslots and online platforms.
– Greg Byrnes, News Director— Sky News Australia (@SkyNewsAust) August 5, 2018
Cottrell é o ex-líder do grupo anti-imigração australiano United Patriots Front (UPF, na sigla em inglês). Ele foi entrevistado por Adam Giles, um apresentador da Sky News que já foi ministro-chefe do estado de Northen Territory de 2013 a 2016.
A entrevista foi criticada até por outros membros da equipe da emissora, incluindo jornalistas. “Blair Cottrell é um fascista de extrema-direita que é um fã de Hitler confesso. Ele se vangloria de usar ‘violência e terror’ para manipular mulheres”, tuitou a apresentadora Laura Jayes.
Ex-ministro do governo que atualmente participa de programas do canal como comentarista, Craig Emerso disse que este foi “mais um passo em uma jornada para normalizar o racismo e a intolerância em nosso país”. Ele afirmou ainda que não apareceria na rede novamente, destacando que seu pai lutou contra nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e ficou detido em um campo de prisioneiros de guerra alemão.
I have advised @SkyNewsAust that I have quit as a Sky commentator. My father fought Nazis in WWII and was interred in a German POW camp. The decision to allow Neo-Nazi Blair Cotterell onto the channel was another step in a journey to normalising racism & bigotry in our country.
— Craig Emerson (@DrCraigEmerson) August 6, 2018
Cottrell usou a entrevista na emissora para pedir ao governo australiano que reduza a imigração, proteja-se de “ideologias estrangeiras” e “recupere a identidade tradicional”. Mais tarde, ele afirmou ainda que a Sky News sucumbiu à pressão para “silenciá-lo”.
No ano passado, Cottrell e outros dois membros do UPF foram considerados culpados por incitar o ódio aos muçulmanos, depois que os três encenaram uma decapitação por parte de extremistas islâmicos para protestar contra a construção de uma mesquita. Um vídeo da cena foi postado no Facebook de Cottrell.