Vítima de Epstein que implicou príncipe Andrew em escândalo sexual lança autobiografia
Obra póstuma de Virginia Giuffre, que cometeu suicídio em abril, trará novos detalhes sobre a rede de abusos e tráfico humano do financista americano

A autobiografia póstuma da advogada Virginia Giuffre, uma das acusadoras mais importantes do predador sexual Jeffrey Epstein, será publicado no dia 21 de outubro. A informação foi divulgada no domingo 24 pela editora Alfred A. Knopf à agência de notícias The Associated Press. “Nobody’s Girl: A Memor of Surviving Abuse and Fighting for Justice” (A Garota de Ninguém: Memórias de Sobrevivência ao Abuso e Luta por Justiça, em tradução livre) foi uma obra escrita por meio de uma parceria entre Giuffre e a autora e jornalista Amy Wallace.
“O conteúdo deste livro é crucial, pois visa lançar luz sobre as falhas sistêmicas que permitem o tráfico de indivíduos vulneráveis através das fronteiras”, declarou a advogada em um e-mail endereçado a Wallace e divulgado pela editora no domingo. “É imperativo que a verdade seja compreendida e que as questões que envolvem esse tópico sejam abordadas, tanto por uma questão de justiça quanto de conscientização”.
O e-mail foi enviado por Giuffre no dia 1º de abril, 24 dias antes dela cometer suicídio. A advogada estava hospitalizada desde o dia 24 de março, quando sofreu um acidente grave, mas conseguiu finalizar o manuscrito do livro de 400 páginas. Conhecida mundialmente pelo seu papel na condenação de Epstein, ela manifestou seu “desejo sincero” em publicar a obra, pedindo que fosse lançada “independente” das circunstâncias.
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“No caso de minha morte, gostaria de garantir que NOBODY’S GIRL ainda seja lançado. Acredito que tem o potencial de impactar muitas vidas e promover discussões necessárias sobre essas graves injustiças”, disse ela no e-mail.
Segundo o porta-voz da Alfred A. Knopf, Todd Doughty, o livro não traz “nenhuma alegação de abuso” contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que vem sendo atormentado por perguntas sobre sua relação com Epstein —, mas que a publicação traz “novos detalhes íntimos, perturbadores e comoventes sobre seu tempo com Epstein, Maxwell e seus muitos amigos conhecidos, incluindo o príncipe Andrew, sobre quem ela fala publicamente pela primeira vez desde seu acordo extrajudicial em 2022”.
Informações sobre um possível livro de memórias de Giuffre haviam sido divulgadas anteriormente pelo New York Post. Em 2023, o jornal americano informou que a advogada havia acertado um acordo que valeria “milhões” junto a uma editora não revelada. Doughty afirmou que a advogada havia fechado primeiramente um contrato de sete dígitos com a editora Penguin Press. No entanto, ela mudou de ideia quando uma nova editora a quem admirava foi contratada pela Knopf.
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Sobrevivente
Virginia Giuffre foi uma das principais responsáveis por expor os crimes do financista Jeffrey Epstein. Segundo a advogada, seu envolvimento na rede de tráfico sexual do criminoso começou no início dos anos 2000, enquanto ela ainda era adolescente. Ela afirmou ter sido explorada sexualmente por homens influentes, incluindo o próprio Epstein e o príncipe Andrew do Reino Unido.
Em 2021, ela entrou com um processo na Justiça de Nova York alegando que o segundo filho da rainha Elizabeth II abusou dela no início dos anos 2000, quando ela tinha 17 anos e ele 41. Andrew sempre negou as as acusações, mas o caso resultou em um acordo extrajudicial no ano seguinte, cujo valor nunca foi divulgado.