Com mais tempo, CPI vai voltar a mirar em Paquetá e Luiz Henrique
Comissão de inquérito teve seu funcionamento prorrogado por mais 45 dias; ‘rei do rebaixamento’ também será alvo prioritário

A CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado vai tentar mais uma vez colher os depoimentos do meia Lucas Paquetá, do West Ham, e do ex-atacante do Botafogo Luiz Henrique, hoje no Zenit, da Rússia.
Com a prorrogação por 45 dias, o funcionamento da comissão de inquérito vai ultrapassar a data do julgamento de Paquetá em investigação conduzida pela Federação Inglesa (FA) – que serviu como justificativa da defesa do atleta para não falar aos senadores antes.
O material obtido pela CPI reforça as suspeitas de que Paquetá forçou a punição com cartões amarelos em vários jogos do West Ham em conluio com apostadores, beneficiando, inclusive, familiares, como seu tio Bruno Tolentino e seu irmão Matheus.
“A esposa dele que falou para ele: ‘você ganha 4 milhões de reais por mês, esse salário é meu também, mando no seu dinheiro também, você vai parar de mandar dinheiro para parente, para tio, primo, avô, avó, mãe, pai, irmão’”, disse o presidente da CPI, Jorge Kajuru (PSB-GO).
Ele acrescentou: “Agora, vem a notícia de que o Paquetá mandou espalhar, para diminuir a pena dele, com medo do banimento do futebol, que só fez isso (manipulação de cartões amarelos) para ajudar o irmão, que estava com dificuldades. Mas ajudou a família inteira.”
Há indícios de envolvimento de Luiz Henrique no mesmo tipo de esquema. O principal deles é um comprovante de transferência de 30.000 reais por Pix de Bruno Tolentino para o atacante, na época em que ele jogava no Real Betis.
Além dos atletas, o outro alvo prioritário é William Rogatto, o chamado “rei do rebaixamento”, um manipulador confesso de resultados preso pela Interpol em Dubai.
Já chegou à CPI a informação de que ele será deportado em breve e, uma vez preso em Brasília, poderá ser levado para depor aos senadores.
Kajuru afirmou que o plano é exibir as declarações que Rogatto fez à CPI por videoconferência em outubro do ano passado e, em eventual depoimento presencial depois de sua deportação, cobrar as provas que foram prometidas.
“Ele prometeu que, se pudesse fazer delação premiada, iria antecipar para nós e entregar o computador dele com tudo dos ‘tubarões’, e não só dos ‘lambaris’”, disse Kajuru.
Animados com as oportunidades geradas pela prorrogação do funcionamento do colegiado, os principais integrantes da CPI veem, ainda, a demissão de Wilson Seneme da comissão de arbitragem da CBF como exemplo do impacto do trabalho dos senadores.
Quando ainda estava no cargo, o ex-árbitro foi à comissão responder a perguntas sobre protocolos para utilização do VAR e sobre jogos colocados em suspeita pelo acionista majoritário da SAF do Botafogo, John Textor.