Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Dora Kramer

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Adeus aos brucutus

Para vencer a boa causa não é preciso falar a língua dos extremos

Por Dora Kramer 5 jun 2020, 06h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 14h22

Os protestos de junho de 2013 perderam apoio na sociedade e afastaram a maioria dos manifestantes das ruas quando entrou em cena o vandalismo. A violência tomou o lugar das demandas justas, os sinais se inverteram e o alvo da insatisfação (o poder público em suas variadas instâncias) respirou de alívio com o arrefecimento da pressão.

Desafogo semelhante parece buscar Jair Bolsonaro quando aconselha seus seguidores a deixar a rua para os opositores e não disfarça a satisfação com tumultos ocorridos em atos adversários que ensejaram demonstrações de engajamento de policiais ao modo reacionário e provocaram aglomerações contraditórias à defesa do isolamento social, justamente um ponto de repúdio às atitudes do presidente.

ASSINE VEJA

Os riscos da escalada de tensão política para a democracia
Os riscos da escalada de tensão política para a democracia Leia nesta edição: como a crise fragiliza as instituições, os exemplos dos países que começam a sair do isolamento e a batalha judicial da família Weintraub ()
Clique e Assine

Além disso, Bolsonaro se vale de uma comparação malposta pelo ministro Celso de Mello e de um ataque de hackers para se apropriar de conceitos caros à democracia a fim de defender o seu contrário. Invoca o risco de uma hipotética “ditadura”, evoca o direito à “liberdade de expressão” para impor preceitos autoritários e dar ares de legalidade a calúnias de toda sorte.

O presidente da República vai tentando, assim, inverter a ordem dos fatores em jogo com o objetivo de confundir os papéis de agredidos e agressores. Nessa versão, os 70% de brasileiros manifestadamente contrários à sua falta de modos democráticos seriam os algozes. Ele e os demais, entre os quais seus devotos mais enfurecidos, as vítimas oprimidas.

Continua após a publicidade

Os 70% de brasileiros em ação na defesa da democracia é que garantem a preservação da lei e da ordem

Pois é no contraponto entre maioria e minoria que se desenha o cenário atual. Nele não cabem ações despropositadas, cujo único efeito é servir de terreno fértil à insensatez. A hora é de recorrer ao controle das emoções, à aliança com o bom senso, à indiferença a provocações e, sobretudo, ao apego à legalidade. Se houver firmeza na aplicação das normas contra os infratores, de duas, uma: ou eles se enquadram ou caem na marginalidade, sujeitando-se às punições previstas em lei.

A excelente notícia é que, enquanto os radicais berram, os construtores de soluções racionais se organizam numa ampla frente em defesa da normalidade institucional. São movimentos de diversos matizes e de setores variados que formam uma unidade inexistente há muito tempo, mas não inédita.

Continua após a publicidade

Na nossa história recente houve causas abraçadas com amplitude que começaram na base do abaixo-assinado e tomaram vulto. Da anistia aos dois impeachments de presidentes, passando pela campanha das “Diretas já”, foram todas bem-sucedidas. A novidade agora é a situação peculiar do isolamento decorrente da pandemia, mas a eficácia da internet no aspecto mobilização já estava provada e na atual conjuntura vem sendo comprovada.

Portanto, não é necessário recorrer a métodos estapafúrdios nem falar a linguagem dos extremos para obter êxito. A batida correta da marcha se apoia na confiança de que não há nada mais sólido, persuasivo e fadado ao sucesso que a unidade de uma maioria assentada no alicerce da razão.

Publicado em VEJA de 10 de junho de 2020, edição nº 2690

[abril-veja-tambem]W3siaWQiOjM1MDA4NjgsInRpdGxlIjoiUmVkZXNjb2JlcnRvLCBNYWNoYWRvIGRlIEFzc2lzICYjeEU5OyBleGFsdGFkbyBwb3IgcmV2aXN0YSBhbWVyaWNhbmEifSx7ImlkIjozNTAxMTE4LCJ0aXRsZSI6IkZ1bmNpb24mI3hFMTtyaW9zIGRhIENpbmVtYXRlY2EgZmF6ZW0gdmFxdWluaGEgcGFyYSByZWNlYmVyIHNhbCYjeEUxO3Jpb3MgYXRyYXNhZG9zIn0seyJpZCI6MzUwMDM5NCwidGl0bGUiOiJEZSBQZWFybCBKYW0gYSBKb3JnZSBlIE1hdGV1czogNCBib2FzIGxpdmVzIHBhcmEgYXNzaXN0aXIgbmEgc2VtYW5hIn1d[/abril-veja-tambem]

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
MELHOR OFERTA

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).